Very British, Indeed!

Nada como um bom circo pegando fogo

janeiro 28, 2010 · 5 Comentários

Quando comecei a viajar sozinha pela ilha, acabei comprando um livro cujo título me divertiu: “Travel with Myself and Another – Five Journeys from Hell”, da Martha Gellhorn (que até então eu nem sabia que existia). Achei que ia ser bom ler um livro em que uma mulher viajando sozinha conta seus casos mais dramáticos e como ela sobreviveu a eles – poderia ser inspirador, pensei.

Não terminei de ler o livro, mas um fato recente – que já falo qual é – me lembrou uma passagem dele:

Upon our return, no one willingly listens to our travellers’ tales. ‘How was the trip?’ they say. ‘Marvellous’, we say. ‘In Tbilisi, I saw…’ Eyes glaze. The only aspect of our travels that is guaranteed to hold an audience is disaster.

Ai eu volto ao tal fato recente: sabe qual é o post mais lido na curta existência desse blog? Campeão disparado? O que eu conto do meu trágico e embaraçoso Natal.

Ta ai a prova. Vocês curtem mesmo uma desgraça alheia!

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Como diria Petiscos: E ai, quem segura?

janeiro 25, 2010 · Deixe um comentário

Roubei o conceito “Quem segura?” daqui. Tenho grande simpatia por Julia Petit!

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Anarchy is an ethic

janeiro 19, 2010 · Deixe um comentário

“As far as I am concerned, taking photographs is a means of understanding which cannot be separated from other means of visual expression. It is a way of shouting, of freeing oneself, not of proving or asserting one’s originality. It is a way of life.
Anarchy is an ethic.”   

“I am neither an economist nor a photographer of monuments, and even less a journalist. What I am looking for, above all else, is to be attentive to life.”

- Henri Cartier-Bresson, em “The mind’s eye”.

Fotos roubadas do site da Fondation Henri Cartier-Bresson.

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We shall overcome

janeiro 19, 2010 · Deixe um comentário

Hoje não é só Blue Monday. Hoje é também Martin Luther King Day – pelo menos nos EUA.

E assim como eu não entendo o cálculo que garante que hoje é o dia mais depressivo do ano, não entendi porque nossos amigos norte-americanos decidiram que “Martin Luther King Day” seria não exatamente na data de nascimento de Dr. King (15 de janeiro), mas sim na terceira segunda-feira do mês de janeiro (o que é um pouco mais impreciso). Pra que simplificar, né? Quero crer que existe uma explicação pra isso…

Enfim.

Quem lê o blog sabe que essa não é a primeira vez que cito Dr. King por aqui. Neste meu interesse por direitos humanos, as ações civis inspiradas pela filosofia da não-violência – da qual Martin Luther King e Gandhi são os principais expoentes – têm minha especial simpatia. Foi essa simpatia que me fez ler “The Autobiography of Martin Luther King, Jr.”, editado por Clayborne Carson. Sensacional. Deveria ser obrigatório na escola. Tipo de livro que você lê e risca inteiro, não necessariamente porque concorda com tudo, mas porque tudo faz pensar. Comprem e leiam, que sua vida vai mudar. Confia, minha gente!

Pra registrar aqui a terceira-segunda-feira-do-mês-de-janeiro-Martin-Luther-King-Day, reproduzo dois vídeos. O primeiro é um discurso no qual Dr. King critica a guerra do Vietnã de forma bastante firme e direta, o que lhe garantiu profundas críticas, já que, na época, ser contrário à guerra era ser anti-EUA. Interessante notar como ainda hoje a direita bélica norte-americana continua a usar a noção de “anti-patriotismo” como arma para apedrejar em praça pública todos os que não concordam com suas intervenções “civilizatórias” pelo mundo. Basta ver o tipo de tratamento que grande parte da mídia deu a todos os que questionaram publicamente a legitimidade das ações dos EUA no Afeganistão e no Iraque (e cabe aqui menção honrosa à Fox News, aquele espaço publicitário que de jornalismo não tem nem a sombra). 

O segundo vídeo é o clássico dos clássicos ”I have a dream”, que já é até um pouco batido, mas ainda arrepia. Dr. King era e ainda é, na minha opinião, uma das pessoas mais lúcidas que se tem registro neste mundo de meu deus.

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Porque depressão se calcula

janeiro 18, 2010 · Deixe um comentário

Hoje, 18 de janeiro, é o dia mais depressivo do ano. Não que seja essa a minha opinião. É cálculo científico.

dos quais: W = clima
                      d = dívida financeira causada pelas compras de Natal
                      T = tempo transcorrido desde o Natal
                      Q = tempo transcorrido desde que as promessas de Ano Novo já   
                              foram quebradas
                      M = níveis baixos de motivação
                      Na = sentimento de que deve-se tomar uma atitude

fonte: Wikipedia

Sabe-se lá o porquê de alguém tirar o dia pra chegar a essa equação e fazer esse cálculo. O fato é que a data tem até nome próprio aqui na Inglaterra: Blue Monday. Interessante seria se hoje fosse também o dia com maior índice de vendas de chocolate e de bebida alcóolica.

Pra fechar, “Blue Monday” por New Order – até porque New Order foi trilha sonora no meu começo de ano, motivado por um moço ai…

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Quem precisa de Big Ben?

janeiro 17, 2010 · Deixe um comentário

Pra que gastar fortunas em metrô e ônibus pra atravessar a cidade se você pode ter seu próprio Big Ben estampado na janela?

Do meu vizinho de bairro.

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Tem alguma coisa errada com o mundo, tem não?

janeiro 15, 2010 · Deixe um comentário

Qual vocês gostam mais: os 300 mil desabrigados no Haiti ou os 300 mil cristais na Mercedes?

Da home do UOL de hoje.

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Tudo é uma questão de perspectiva

dezembro 28, 2009 · 1 Comentário

-30ºC na Rússia. E eu aqui reclamando de frio.

Pensando bem, acho que não tô muito em posição de reclamar não.

foto do UOL.

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As vergonhas que a gente passa nessa vida

dezembro 27, 2009 · 9 Comentários

Acabo de lançar uma nova tag nesse blog: “vergonha pouca é bobagem”. Ótimo jeito de resumir meu Natal.

*

Dia 24 teve jantar aqui em casa, como manda o figurino brasileiro. Ótimo, tranquilo, indolor, sem grandes embaraços.

Mas ai veio dia 25.

Dia 25 acompanhei madrinha + primo no almoço na casa de uma família amiga. Confesso que pensei em declinar do convite e ficar na minha cama. Não gosto de Natal no Brasil, que dirá em terra estrangeira. Mas ai pensei: “tá na chuva, é pra se molhar”, né? Vamo que vamo que tudo nessa vida é experiência.

Ah, vamo. Vamo passar vergonha, isso sim. Porque até então eu não sabia que Natal na Inglaterra envolvia jogos, brincadeiras e momentos lúdicos. Odeio momentos lúdicos. Pra que isso?

*

Bom. Estava eu lá tranquila no meu canto, boba e ingênua, reunida em torno da TV junto com o resto do povo. Até que o filme resolve acabar. Foi só começar os créditos pra alguém lá no outro canto lançar um “Fulana, pega o tabuleiro que eu preparo a mesa”. 

“Ah, tá me tirando. Tá me tirando que esse bando de marmanjo vai me inventar de jogar ‘Imagem e Ação’!”. Pensei. Pensei mesmo. Xinguei deus e o mundo. Seguido por um “P*** que pariu, por que catzo que eu sai da p**** da minha cama?! Por que p**** que eu resolvi dar uma de ’vamos abraçar as experiências culturais e participar de um momento tipicamente inglês’?! Maldita ciências sociais!”. E um desejo ENORME de sumir.

Mas não deu pra sumir. Quando dei por mim, estava em uma mesa com mais onze pessoas de seus 20 e poucos anos. Todos ingleses. Bem ingleses. E 80% se levavam bastante a sério, muito confiantes das suas opiniões sobre de quem era a culpa pela recessão inglesa ou se nacionalizar os bancos é uma boa idéia ou não - tipo de postura que pode ser tão besta, pedante e irritante quanto intimidante pra quem já tá querendo se esconder debaixo da mesa. 

*

O jogo em questão funcionava assim: tinha lá um monte de cartões, cada um com uma palavra, que podia ser desde um conceito ou um sentimento até o nome de uma celebridade. Você tinha que pegar um cartão do bolo, ver a palavra e arranjar um jeito de descrevê-la de forma que seus companheiros de time descobrissem qual era a tal palavra. Por exemplo: se no cartão tava escrito “magic”, você poderia dizer “Harry Potter does…”, pra que alguém do seu time falasse “magic”. Tudo isso dentro do tempo de uma ampulheta. Ganhava quem acertasse mais palavras dentro do tempo da MALDITA ampulheta.

Agora imagine você a minha situação. Eu, envergonhada e jeca tatu do jeito que naturalmente sou, no alto da minha condição “inglês não é minha primeira língua”,  numa mesa com outras onze pessoas que eu nunca vi na vida, todas elas olhando pra minha cara, testemunhando minhas habilidades gramaticais na língua materna DELES, não minha. A tensão só não foi maior porque um dos filhos do dono da casa, solidário à minha situação, garantiu que eu tivesse alguma forma de álcool ao meu alcance o tempo todo. Me apaixonei só por causa dessa sensibilidade dele em ver que eu tava querendo desaparecer. Já tá na lista dos meus ingleses favoritos.

Pra deixar a situação ainda mais confortável, 80% deles - aqueles que se levavam bastante a sério, vejam vocês a coincidência - se mostraram pra lá de competitivos e muito preocupados em fazer pontos e “ó meu deus que coisa mais relevante que é ganhar essa p**** desse jogo besta”. E durante toda essa tortura eu só pensava – não me pergunte por que - na música “fó fó fó nhó” abaixo. E ria sozinha, né, porque nessas horas não tem muito o que fazer a não ser tentar manter o bom humor.

Mas ai, pra minha grande surpresa, eu sobrevivi. E até que não foi tão trágico assim.

E que venha o Ano Novo.

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Ah, o Natal…

dezembro 27, 2009 · Deixe um comentário

Que momento mais feliz.
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A trilha sonora de 10 em cada 10 rádios e 20 em cada 20 lojas dessa pequena ilha:


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Na Inglaterra…

…nada acontece dia 24. Tudo acontece dia 25.

…no dia 25, todo mundo acorda cedo pra trocar presentes. Sabe aqueles filmes natalinos que a gente vê na Sessão da Tarde, com aquela cena que as crianças acordam as 6h da manhã e pulam na cama dos pais, loucas pra abrir os pacotes que estão debaixo da árvore? Tipo isso.

Lá pelas 14h, as pessoas se dirigem para a casa de algum fulano que se responsabilizou pela ceia de Natal. Esse fulano pode ser uma tia, a avó, a vizinha ou um amigo da família. Em geral, são sempre os mesmos de um ano para outro.

Uma vez reunidos os convidados, come-se (muito). Ai, todos se reúnem em torno da televisão (!), em geral pra assistir um filme ruim ou o DVD do último comediante-sensação do momento. Depois, a ala jovem distribui-se na mesa para algum jogo de tabuleiro, o que pode durar muitas e longas horas. Enquanto isso, a ala adulta se junta na sala ao lado para discutir assuntos de gente grande.

Pra lá de 24h, quando a ala adulta já está mais do que entediada e doida pra ir embora, um time da ala jovem deixa o outro time ganhar, só pra encerrar logo aquele jogo sem fim. Acaba a jogatina, todos se despedem, cada um vai pra sua casa. Dorme-se.    

…dia 26, aqui, chama Boxing Day. Não me pergunte o motivo.

…do dia 26 até meados de janeiro, Londres inteira entra em liquidação. As ruas são tomadas por Sale sale sale, off off off, % % %. As lojas voltam a ficar tão cheias quanto na véspera do dia 25.

Merry Christmas, meu povo!

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